Os fortes ventos que atingiram Francisco Beltrão na noite de segunda-feira (21) provocaram destelhamentos, danos em estruturas e até levantaram um automóvel. A intensidade e a concentração dos estragos levantaram a possibilidade de que um tornado tivesse atingido o município.
O meteorologista Piter Scheuer analisou registros do temporal e classificou o fenômeno como tornado. A avaliação foi divulgada por veículos de comunicação da região, especialmente em relação aos danos registrados no Bairro Industrial, nas proximidades da Rua São Paulo, da Igreja de Pedra e da Arena Win.
Na Arena Win, um dos episódios que mais chamou a atenção foi o de um automóvel que teria sido levantado pela força do vento e acabou sobre outro veículo.
No entanto, uma análise divulgada pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) apresentou uma interpretação diferente sobre o fenômeno.
Simepar aponta microburst
Em nota divulgada nesta quarta-feira (23), o Simepar informou que seus meteorologistas analisaram imagens de radar e satélite, além de fotografias e vídeos encaminhados pela Defesa Civil.
Segundo o órgão, no material analisado até o momento não foram identificados sinais que indiquem a ocorrência de tornado em Francisco Beltrão.
A avaliação técnica aponta que as características observadas são compatíveis com um microburst, também conhecido como microexplosão atmosférica.
O fenômeno ocorre quando uma forte corrente de ar desce de uma nuvem de tempestade e atinge a superfície. Ao chegar ao solo, o ar se espalha rapidamente em diferentes direções, podendo produzir rajadas extremamente intensas em uma área relativamente restrita.
Diferença entre tornado e microburst
Apesar de os dois fenômenos poderem provocar danos semelhantes, o comporta disso mento do vento é diferente.
No tornado, há uma coluna de ar em intensa rotação. Já no microburst, predominam correntes de ar descendentes que atingem o solo e se espalham horizontalmente.
Por isso, a identificação do fenômeno responsável pelos danos não depende apenas da intensidade da destruição. Meteorologistas também analisam imagens de radar e satélite, registros da tempestade e a distribuição dos danos no terreno.
No caso de Francisco Beltrão, o Simepar ressaltou que sua análise, até o momento, não encontrou evidências de tornado e considera que os registros disponíveis são compatíveis com a ocorrência de uma microexplosão atmosférica.
A avaliação pode ser complementada caso novos dados, imagens ou registros do evento sejam disponibilizados para análise.
Portal de Beltrão, com PPNews