O valor das apreensões de canetas e outros medicamentos utilizados para emagrecimento cresceu mais de 20 vezes no primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano passado. Segundo dados da Receita Federal, o montante passou de cerca de R$ 4 milhões para mais de R$ 80 milhões.
O avanço das apreensões acompanha o aumento da entrada irregular no país de medicamentos que não possuem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para comercialização. A Receita Federal não informou a quantidade de unidades correspondente ao valor apreendido.
A fiscalização também identificou o crescimento da oferta desses produtos pela internet. Medicamentos são anunciados em plataformas de comércio eletrônico por vendedores sem autorização, o que aumenta os riscos relacionados à procedência, armazenamento e segurança das substâncias.
Foz do Iguaçu registra forte aumento nas apreensões
A região de fronteira com o Paraguai está entre as áreas com maior concentração de ocorrências. Em Foz do Iguaçu, entre maio e dezembro de 2025, foram apreendidas 7.479 unidades entre ampolas e canetas emagrecedoras.
Já em 2026, o número chegou a 71.860 unidades, representando um crescimento de 860,8%.
Diante do aumento do comércio irregular, Brasil e Paraguai ampliaram a cooperação para combater a circulação ilegal desses medicamentos. A Anvisa e a autoridade sanitária paraguaia, Dinavisa, firmaram acordo para troca de informações, compartilhamento de resultados laboratoriais e apoio às fiscalizações nas regiões de fronteira.
As ações também buscam combater a falsificação e o contrabando de medicamentos.
Oferta de produtos autorizados também aumenta
Paralelamente ao crescimento do mercado irregular, a quantidade de medicamentos para emagrecimento autorizados para comercialização no Brasil também aumentou.
Em julho, a Anvisa aprovou cinco novas canetas à base de semaglutida: Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy e Orsema. A agência também concedeu os primeiros registros para medicamentos genéricos produzidos com a substância.
A ampliação da oferta de produtos regularizados pode aumentar a concorrência no setor e contribuir para uma possível redução dos preços, além de oferecer aos consumidores alternativas que passaram pelos processos de avaliação e registro sanitário.
Portal de Beltrão, com PRF