A atividade de caráter simbólico e educativo foi instituída pela Lei Federal nº 14.942/2024, que busca transformar bancos em espaços de reflexão, acompanhados de placas com canais de denúncia e orientação para vítimas. No Campus Realeza, o banco vermelho foi instalado em frente ao Bloco A, prédio que abriga a maioria das salas de aula. Já a pintura foi feita de forma coletiva, iniciando pelas mulheres, depois os homens deram continuidade, num gesto que afirma que o enfrentamento à violência contra mulheres é dever de todos. A instalação em Realeza abre uma série de ações nos demais campi da UFFS.
Memória que incomoda
A vice-reitora da UFFS, professora Sandra Simone Hopner Pierozan, comentou que a cor vermelha do banco mostra a urgência da violência, das vidas interrompidas e daquilo que não se pode mais tolerar. "Esse banco é um lembrete permanente contra o feminicídio, mostrando que não é algo que acontece distante de nós. Que esse banco possa incomodar, que ele não seja apenas mais um objeto no campus, mas que nos mova para a ação", defendeu.
Além disso, também destacou o papel da universidade para além da formação técnica: "Somos um espaço de construção ética, de cidadania, de pensamento crítico. Quando assumimos essa pauta, mostramos que o conhecimento pode servir para transformar realidades, prevenir violências, acolher quem sofre e formar sujeitos capazes de romper com esses ciclos de opressão", ressaltou a vice-reitora.
A representante da Secretaria de Estado da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa (SEMIPI), Clemilda Santiago Neto, reforçou o papel fundamental da universidade como espaço educador, de prevenção e de produção de ciência, lembrando que a ciência não combina com preconceito. "Quando falamos de violência contra a mulher, precisamos olhar também para quem está na base da pirâmide da sociedade brasileira: as mulheres negras, indígenas, quilombolas, ciganas, pescadoras artesanais, de comunidades tradicionais. Enquanto pintávamos esse banco vermelho, uma memória me atravessou: lembrei da minha tataravó, Benedita, uma mulher negra que foi escravizada na Vila Nova de Castro. Ela veio antes de mim, e eu estou aqui hoje porque mulheres como ela resistiram", lembrou.
Dados que reforçam a urgência
O ato também foi uma oportunidade para lembrar os números persistentes da violência contra as mulheres no país. Segundo a pesquisa "Retrato dos Feminicídios no Brasil", do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 8 em cada 10 casos de feminicídio no país são cometidos por parceiros ou ex-companheiros, uma situação que evidencia que o maior risco para muitas mulheres ainda está dentro de casa.
Ao analisar 5.729 registros de feminicídios ocorridos entre 2021 e 2024, o estudo aponta que 62,6% das vítimas de feminicídio no Brasil eram mulheres negras. Conforme o documento, 36,8% das vítimas eram mulheres brancas, enquanto indígenas e amarelas representam 0,3% dos registros.
Ascom