Imagens exibidas pelo Fantástico mostram momentos antes de uma jovem sair desacordada de uma montanha-russa no Hopi Hari, em Vinhedo (SP). Segundo a família, Júlia Rimoli sofreu um traumatismo cranioencefálico após andar na Montezum, uma das atrações mais conhecidas do parque. O acidente deixou a vítima com sequelas neurológicas e passou a ser investigado pelo Ministério Público de São Paulo.
Júlia estava acompanhada do marido, João Pedro. Registros feitos pelo próprio casal mostram o momento em que os dois embarcam na montanha-russa pela primeira vez. Apesar de apreensivos, eles fizeram o passeio sem intercorrências.
"A gente foi a primeira vez, não teve problema", relata João Pedro.
Imagens mostram últimos momentos de jovem antes de sair desacordada de montanha-russa no Hopi Hari — Foto: Reprodução/TV Globo
No fim da tarde, João Pedro se lembrou de que tinha direito a uma promoção. Os dois decidiram voltar à montanha-russa.
"Não ia pegar nem fila. A gente falou, então vamos antes de ir embora. E foi aí que começou todo o pesadelo".
As câmeras do parque registraram o momento em que Júlia e João Pedro se sentam em um dos bancos de trás do carrinho. Na subida, Júlia aparece consciente e tranquila. Não há imagens do restante do percurso.
Cerca de dois minutos depois, o carrinho retorna à plataforma. Júlia está desacordada.
"Ela já estava inconsciente, já estava convulsionando e nesse momento você fica desesperado, não sabe o que fazer".
Os registros mostram funcionários se aproximando do carrinho após a chegada à estação. Cerca de seis minutos depois, a jovem é retirada em uma maca e levada para atendimento médico.
"Levaram ela para o ambulatório do próprio Hopi Hari. Foi uma cena de terror. Ela ficou inconsciente o tempo todo", diz o marido de Júlia.
Em seguida, a atração voltou a funcionar normalmente.
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Imagens mostram últimos momentos de jovem antes de acidente em montanha-russa do Hopi Hari — Foto: Reprodução/TV Globo
Internação e investigação
A vítima foi encaminhada inicialmente ao ambulatório do parque e depois transferida para a Santa Casa de Vinhedo. Exames apontaram uma hemorragia intracraniana e um edema cerebral, quadro que exigiu uma cirurgia de emergência. Ela permaneceu internada por 57 dias.
De acordo com laudo médico citado pela família, o traumatismo foi provocado por um mecanismo de contragolpe durante o percurso na montanha-russa. O documento aponta que movimentos bruscos de aceleração, desaceleração e rotação podem causar rompimento de vasos sanguíneos cerebrais.
Cinco meses após o acidente, a jovem segue em processo de reabilitação. Segundo familiares, ela perdeu os movimentos do lado esquerdo do corpo, enfrenta dificuldades de fala e já passou por sete cirurgias desde o episódio.
O Ministério Público de São Paulo abriu uma investigação para apurar as circunstâncias do caso e determinou a realização de uma perícia na atração. O procedimento ainda está em andamento.
O que diz o parque
Procurado pelo Fantástico, o Hopi Hari disse em nota (leia a íntegra ao final) que a Montezum possui certificação internacional emitida pelo grupo TÜV Nord e que as inspeções são feitas anualmente. Informou também que segue rigorosamente as normas nacionais para parques de diversões.
A assessoria do parque informou ainda que placas e avisos sonoros alertam sobre restrições, informando "a atração como radical, pela força e movimentos nela envolvidos, e contraindicando para pessoas com problemas na coluna, gestantes e portadores de condições clínicas específicas".
A nota destacou um parecer do Ministério Público de São Paulo, de agosto de 2026, que descarta o risco coletivo da montanha-russa.
O documento foi emitido depois que uma mulher foi levada à enfermaria com dores no pescoço, em julho.
Sobre o caso de Júlia, o Hopi Hari afirma que a jovem recebeu pronto atendimento, respeitando os protocolos de segurança, que o parque acompanhou de perto todo o processo de internação, custeando as despesas, e que um seguro foi franqueado à família.
Nota oficial – Hopi Hari
"A Montezum possui certificação internacional emitida pelo Grupo TUV Nord, uma das maiores organizações de inspeção e testes de atrações do mundo. As inspeções acontecem anualmente no caso de atrações radicais como a Montezum, e bianuais, em atrações de baixa complexidade. Outros importantes protocolos de segurança, treinamento de pessoal e de atenção ao visitante fazem parte da rotina diária do Hopi Hari em todas as suas atrações. O parque também segue rigorosamente a norma nacional para parques de diversões 'ABNT NBR 15926-2023 Equipamentos de Parques de Diversão'.
Antes mesmo de acessar a Montezum, placas contendo dados sobre a atração estão colocadas em pontos de fácil visualização para que todos os visitantes tenham informações claras e detalhadas sobre o funcionamento da montanha russa, além de recomendações e restrições. Ainda quando estão na fila para acessar a atração, um sistema de áudio destaca as recomendações e restrições. E, no momento do embarque, os operadores da atração também reforçam as informações, por meio de um sistema de som. Os procedimentos seguem normas internacionais adotadas em atrações ao redor do mundo e integram rotinas obrigatórias de segurança e operação. De janeiro de 2026 até o momento, mais de 870 mil pessoas frequentaram o parque e, deste total, aproximadamente 470 mil pessoas passaram pela atração, que é a mais visitada do Hopi Hari.
Também é importante destacar que, recentemente, o Ministério Público emitiu parecer sobre a atração enfatizando não haver risco coletivo, defeito no projeto da montanha russa ou qualquer negligência. No texto do parecer, o MP destaca "a regularidade do funcionamento da atração "Montezum" sob a ótica da tutela coletiva e difusa da segurança e saúde dos consumidores". O parecer acrescenta, ainda, que "o estabelecimento prestador do serviço adota protocolos rigorosos de prevenção, manutenção e segurança operacional".
E enfatiza que 'a montanha-russa Montezum é submetida a rotinas periódicas de inspeção técnica diária , abrangendo a estrutura de madeira, trilhos, fixações, travas de segurança, cintos, sensores fotoelétricos, painéis elétricos e sistemas de frenagem, com supervisão por equipe de engenharia e certificações técnicas pertinentes. Ademais, constata-se a existência de sinalização visual e sonora no local, informando previamente a classificação da atração como radical, as forças e movimentos nela envolvidos, além das expressas contra indicações de uso a pessoas com problemas na coluna, gestantes e portadores de condições clínicas específicas', descreve o parecer. As placas indicativas com as informações nelas contidas, também estão anexadas neste email.
O Hopi Hari esclarece ainda que a visitante do Paraná acessou a atração por duas vezes no mesmo dia de sua visita ao parque, conforme imagens anexadas. A primeira ida à Montezum ocorreu às 11h da manhã e a segunda, cerca de cinco horas depois, por volta de 16h30 do mesmo dia.
O episódio envolvendo a jovem paranaense ocorreu em sua segunda passagem pela atração, quando apresentou um quadro de convulsão e recebeu pronto atendimento das equipes do parque, seguindo todos os protocolos de segurança. A providência inicial foi prestar os primeiros socorros no ambulatório do parque. A visitante foi encaminhada para a Santa Casa de Vinhedo, onde permaneceu internada até apresentar condições de retorno à sua cidade. A direção do parque acompanhou de perto o tratamento prestado, sempre em contato com os familiares, custeando as despesas durante a permanência em Vinhedo.
Vale ressaltar que o departamento jurídico do Hopi Hari também manteve contato com os familiares da visitante paranaense para o suporte necessário durante todo o processo de atendimento da paciente em seu tratamento. O corpo jurídico, assim como a direção do parque, seguem à disposição da família da visitante. Importante destacar também que o Hopi Hari dispõe de um seguro que foi franqueado à família.
O Hopi Hari segue investindo em normas, procedimentos e treinamentos visando a segurança das atrações do parque que, nos últimos 5 anos, já recebeu mais de 5,5 milhões de visitantes.
Sobre as ocorrências mencionadas de anos anteriores, esclarecemos que os dados pertencem a gestões passadas. A atual administração tem seu foco estrito na rigorosa cultura de segurança implementada nos últimos 5 anos, responsável por receber mais de 5,5 milhões de visitantes de forma segura.
Normas que seguimos e que regem as inspeções que seguimos 100%.
• Decisão Normativa 52, de 25 de agosto de 1994, do CONFEA.
• Ato Normativo nº 02, de 14 de dezembro de 2001, CREA-SP.
• ABNT NBR 15926:2023, Equipamentos de Parques de Diversão.
• ABNT NBR 16071:2012, “Playgrounds”.
• ABNT NBR 5410:vigente, Instalações Elétricas de Baixa Tensão.
• ABNT NBR 9050, Acessibilidade a Edificações, Mobiliário, Espaços equipamentos urbanos.
• ABNT NBR ISO 21101:2014, Turismo de Aventura – Sistema de Gestão de Segurança – Requisitos.
• NR 10 - Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade.
• NR 13 - Caldeiras, Vasos de Pressão e Tubulações.
MONTEZUM
Equipe técnica que trabalha dedicada, na atração
• 1 técnico em mecânica (média de 5h por dia)
• 1 técnico em elétrica (média de 2h por dia)
• 12 carpinteiros (média de 7h por dia)
Argumentos sobre a decisão do MPT
• Não foram analisadas somente documentação, tivemos inspeções e avaliações técnicas dos engenheiros do CAEx para elaboração dos pareceres.
Manutenção
• Preventiva diária (realizada diariamente antes da abertura do parque)
• 5-6 horas de trabalho realizado por um técnico em mecânica
• 1-2 horas de trabalho realizado por um técnico em elétrica
• 3-4 horas de trabalho realizado pela equipe de carpintaria (3-4 pessoas)
• Preventiva semanal (realizada toda semana nos dias de parque fechado)
• 6-7 horas de trabalho realizado por um técnico em mecânica
• 2-3 horas de trabalho realizado por um técnico em elétrica
• 14-15 horas de trabalho realizado pela equipe de carpintaria (8-9 pessoas)
• Preventiva mensal (realizado durante o mês em que foi gerada, conforme programação)
• 4-6 horas de trabalho realizado por um técnico em mecânica
• 2-3 horas de trabalho realizado por um técnico em elétrica
• Anual (realizada nos trens após 1800-2000 horas de trabalho ou a cada dois anos)
• 30-50 dias de trabalho realizado pela equipe mecânica (2 mecânicos+1 supervisor)
Sobre o registro de 40 reclamações de visitantes
Em resposta ao questionamento da reportagem, cabe destacar a devida proporcionalidade dos dados: o registro de cerca de 40 reclamações na plataforma Reclame Aqui ao longo dos últimos dois anos refere-se a um universo de aproximadamente 1,2 milhão de visitantes que passaram pela Montezum no mesmo período — o que demonstra um índice estatístico irrisório e abaixo da média mundial, diante do expressivo volume de operações da atração.
Em recente manifestação a respeito do assunto, o Ministério Público deu parecer onde destaca que "o histórico operacional demonstra que eventuais queixas de desconforto muscular constituem episódios isolados, inerentes ao impacto físico esperado em equipamentos de tal natureza, sem qualquer padrão de defeito sistêmico no brinquedo ou falha na prestação do serviço", diz o parecer.
Os casos relatados são encaminhados ao SAV (Serviço de Atendimento ao Visitante) que trata com atenção os relatos de queixas sobre lesões ou desconfortos físicos, passíveis em uma atração amplamente anunciada como radical, mantendo contato com o reclamante para inicialmente ouvir seu relato e seguir se necessário com o acompanhamento."
G1 | Fantástico