JULHO AMARELO
A campanha Julho Amarelo é promovida pelo Ministério da Saúde. Foi institucionalizada pela Lei nº 13.802/2019. Tem o objetivo de reforçar a importância das ações de cuidado, prevenção e controle das hepatites. Essas doenças representam um grave problema de saúde pública no Brasil e no mundo.
Também busca esclarecer dúvidas sobre as hepatites e incentivar a realização de testes e vacinação. O Dia Mundial de Luta Contra às Hepatites Virais é em 28 de julho.
As hepatites são infecções que atingem o fígado, causando alterações leves, moderadas ou graves. Na maioria das vezes não apresentam sintomas. São ocasionadas por vírus.
A causa de algumas hepatites, porém, é o consumo de medicamentos, álcool e outras drogas. Outras por doenças autoimunes, metabólicas ou genéticas.
CASOS DE HEPATITES NO BRASIL
Os dados mais recentes, de acordo com a Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, do Ministério da Saúde, são que no Brasil, entre 2000 e 2024, foram confirmados 826.292 casos de hepatites virais, distribuídos desta forma:
-174.977 (21,2%) de hepatite A.
-302.351 (36,6%) de hepatite B.
-342.328 (41,5%) de hepatite C.
-4.722 (0,6%) de hepatite D.
-1.914 (0,1%) de hepatite E.
A faixa etária predominante dos atingidos fica entre pessoas de 40 e 59 anos de idade. Isso representa 40,1% dos casos.
A principal dificuldade no controle da doença é o fato de muitas infecções evoluírem de forma silenciosa.
MORTES CAUSADAS POR HEPATITES
Conforme os dados mais recentes, divulgados pelo Portal Agência Brasil, somente em 2024 a hepatite foi a causa direta de 1.100 mortes no Brasil.
A doença atinge o fígado. A maior parte dos casos é crônica. É que o vírus permanece silencioso dentro do organismo por décadas, causando danos acumulados no órgão.
Isso causa a evolução da enfermidade até provocar quadros graves, quando geralmente desenvolve sintomas, como fibrose cística, cirrose e até mesmo câncer. Essas enfermidades, em estágios avançados, são altamente letais. Ou seja: causam a morte pouco tempo depois de diagnosticadas.
PREVENÇÃO
A ampliação do acesso ao diagnóstico precoce, ao tratamento e à vacinação são essenciais para o enfrentamento da hepatite. Especialmente entre as populações mais vulneráveis. Além disso, a informação é uma das principais armas no combate a doença.
O Brasil oferece gratuitamente as vacinas contra a hepatite A e B pelo SUS (Sistema Único de Saúde). A testagem também está disponível na rede pública e é feita por meio de exames de sangue que detectam a presença do vírus ou de anticorpos.
Esses exames permitem identificar tanto infecções agudas quanto crônicas. São fundamentais para o diagnóstico precoce.
Para se vacinar ou realizar o teste, basta procurar a Secretaria Municipal de Saúde.
VACINA CONTRA HEPATITE B EM BEBÊS E RECÉM-NASCIDOS
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) a vacina contra a hepatite B para bebês, por se tratar de uma doença grave e transmitida de mãe para filho durante a gestação ou parto, representa proteção imediata. É uma prática segura e eficaz para prevenir infecções futuras. A doença também pode ser transmitida por contato com sangue e fluidos corporais, mesmo em ambientes domésticos.
A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) também recomenda a vacina para recém-nascidos, independentemente da condição da mãe. É que nem todas as infecções maternas são detectadas durante a gravidez.
Além disso, especialistas defendem que a vacinação precoce é crucial para a prevenção da infecção crônica, que pode levar ao câncer de fígado e à cirrose.
O ideal é iniciar o esquema vacinal com a primeira dose o mais cedo possível. Preferencialmente nas primeiras 12 horas após o nascimento, ainda na maternidade, podendo ser administrada até 30 dias após o nascimento.
TIPOS DE HEPATITES
HEPATITE A: Causada pelo vírus HAV. É uma doença benigna. A transmissão ocorre por meio do contato de fezes com a boca, água ou vegetais e frutas contaminadas. Principalmente em áreas com baixo nível de saneamento básico e higiene pessoal.
-Sintomas: Os primeiros sinais da enfermidade costumam aparecer aproximadamente 15 dias após a infecção pelo vírus. Inicialmente, pode causar fadiga, mal-estar, febre e dores musculares.
Posteriormente, evoluem para enjoo, vômitos, dor abdominal, diarreia ou até resfriado, além da urina escura. Após alguns dias, entra em uma fase em que se manifesta a icterícia (amarelão), deixando a pele e os olhos amarelados.
Esses sintomas podem ser relativamente leves e desaparecer em algumas semanas. No entanto, em algumas situações, a hepatite A pode levar a uma doença grave que persiste por vários meses.
-Diagnóstico e tratamento: O diagnóstico da infecção pelo vírus da hepatite A é realizado por meio de exame de sangue. Não existe um medicamento específico para tratá-la.
O médico avaliará a necessidade de tratamento para aliviar os sintomas e garantir a hidratação. Especialmente se houver diarreia e vômitos. Em casos mais graves, como insuficiência hepática aguda, pode ser necessária a hospitalização.
-Prevenção: Está diretamente ligada a bons hábitos de higiene. Exemplos: lavar as mãos após ir ao banheiro, depois de trocar fraldas de bebês e antes de manusear alimentos.
Alimentos crus devem ser lavados com água tratada e, de preferência, deixados de molho por 30 minutos antes do consumo. Outra recomendação é não permitir que crianças brinquem ou tomem banho em riachos, fontes, áreas inundadas ou locais próximos a esgotos.
A vacina é altamente eficaz e segura, sendo a principal medida de prevenção. O SUS disponibiliza as doses para crianças e adultos.
HEPATITE B: Pode se manifestar de forma aguda ou crônica. Na forma aguda, a infecção no fígado é de curta duração. Se persistir por mais de seis meses, é classificada como crônica.
A doença é transmitida por meio do contato com fluidos corporais, como sêmen e saliva.
Objetos perfurocortantes (capazes de perfurar ou cortar, como agulhas, pinças, lâminas de barbear, entre outros) não esterilizados, também podem ser uma fonte de contaminação.
Uma grávida infectada pode transmitir a doença para o bebê, tornando o pré-natal de extrema importância. Ter hepatite B crônica aumenta o risco de desenvolver insuficiência hepática, cirrose e câncer de fígado.
-Sintomas: Os sintomas da doença incluem fadiga, mal-estar, febre, dores musculares, enjoo, vômitos, dor abdominal, urina escura e icterícia (amarelão) que se manifesta como amarelamento da pele e dos olhos.
-Tratamento: A hepatite B não tem cura, mas o tratamento com medicamentos, disponível no SUS, pode controlar a doença e prevenir complicações e sua progressão. É fundamental interromper o consumo de bebidas alcoólicas.
-Prevenção: Na rede pública de saúde, existe vacina disponível contra a hepatite B para adultos e crianças. O esquema vacinal para crianças é realizado da seguinte forma: ao nascer e aos 2, 4 e 6 meses de idade (utilizando a vacina pentavalente). Já os adultos precisam receber três doses.
Outras medidas eficazes de prevenção incluem: uso de preservativo nas relações sexuais, a não partilha de lâminas de barbear, depilação, agulhas ou seringas, e a verificação da esterilização de pinças em salões de beleza.
HEPATITE C: A forma de transmissão é semelhante à da hepatite B. Ou seja: ocorre por meio de fluidos corporais ou sangue de uma pessoa contaminada. No entanto, a hepatite C é um processo infeccioso e também inflamatório no fígado.
-Sintomas: Ao contrário das hepatites tipo A e B, o fígado afetado pelo vírus do tipo C não apresenta sinais óbvios de doença. De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 80% dos infectados não manifestam sintomas. A maioria descobre a infecção por meio de exames de rotina ou após doar sangue.
-Tratamento: Tem cura em 95% dos casos, desde que o paciente siga rigorosamente as recomendações e faça o uso dos medicamentos chamados antivirais de ação direta. O tratamento dura de 8 a 12 semanas. Se não tratada, pode evoluir para cirrose ou câncer de fígado.
-Prevenção: Não existe vacina disponível para a hepatite C. As medidas preventivas recomendadas incluem evitar o compartilhamento de objetos como agulhas, seringas, pinças e lâminas de barbear, além do uso de preservativos nas relações sexuais.
HEPATITE D (Delta): É uma infecção do fígado causada pelos vírus VHD e o vírus da hepatite B. Isso ocorre porque o vírus da hepatite D necessita do vírus da hepatite B para se reproduzir. A hepatite D é transmitida quando o sangue ou outros fluidos corporais de uma pessoa infectada com o vírus entram no corpo de alguém que não está infectado.
-Sintomas: Nem sempre esse tipo de hepatite manifesta sintomas. Mas quando ocorrem, os sinais mais comuns são semelhantes aos da hepatite B. Ou seja: fadiga, mal-estar, febre, dores musculares, enjoo, vômitos, dor abdominal, urina escura e icterícia (amarelão), que se manifesta como amarelamento da pele e dos olhos. A hepatite D também pode causar sintomas graves e levar a doenças que podem resultar em danos ao fígado ao longo da vida.
-Tratamento e prevenção: Envolve uma classe específica de medicamentos, que deve ser prescrita pelo médico. Não existe vacina. No entanto, pessoas vacinadas contra a hepatite B têm menos probabilidade de desenvolver a hepatite D. É importante seguir medidas preventivas.
Os cuidados são praticamente os mesmos que os de outras hepatites. Deve-se evitar o compartilhamento de objetos como agulhas, seringas, pinças e lâminas de barbear, além do uso de preservativos nas relações sexuais.
HEPATITE E: É rara no Brasil. Sua forma de contaminação é semelhante à da hepatite A. Envolve o contato de fezes com a boca. Consumo de água ou alimentos contaminados. Ingestão de carne malcozida ou de animais infectados. Nas gestantes, essa forma de infecção pode ser mais grave, inclusive levando à morte do bebê e, em casos extremos, evoluindo para hepatite fulminante.
-Sintomas: Quando apresenta sinais, que podem surgir entre 15 a 60 dias após a contaminação, a doença se manifesta com sintomas semelhantes aos das outras hepatites. Ou seja: fadiga, mal-estar, febre, dores musculares, enjoo, vômitos, dor abdominal, urina escura e icterícia (amarelão).
-Tratamento e prevenção: Da mesma forma que a hepatite A os sintomas são observados e tratados. O paciente deve descansar e evitar o consumo de bebida alcoólica. Adotar bons hábitos de higiene se torna uma estratégia eficaz na prevenção da enfermidade. Isso inclui lavar as mãos após usar o banheiro, após a troca de fraldas de bebês e antes do manuseio de alimentos.
Alimentos crus devem ser lavados com água tratada e, de preferência, deixados de molho por 30 minutos antes do consumo. A carne de porco deve ser bem cozida antes de ser consumida. Outra recomendação importante é usar utensílios domésticos limpos e evitar banhos em riachos, chafarizes, áreas inundadas ou locais próximos de esgotos.
Roger Brunetto, Portal São Miguel
