A comunidade de Vista Alegre, no interior de Enéas Marques, segue apreensiva após o derramamento de um produto tóxico causado pelo tombamento de um caminhão na madrugada do último dia 11 de junho. Mesmo vários dias após o acidente, ainda há vestígios da substância na curva onde ocorreu o incidente, e a preocupação das autoridades agora é reduzir os impactos ambientais provocados pelo vazamento.
As fortes chuvas registradas após o acidente dificultaram o trabalho das equipes responsáveis pela contenção. O produto, identificado como fipronil — utilizado no controle de pragas agrícolas —, acabou se diluindo e alcançando um córrego próximo à comunidade, aumentando os riscos de contaminação ambiental.
Diante da situação, o uso da água do poço artesiano que abastece a localidade foi suspenso por precaução. A medida foi tomada pelo responsável pelo sistema de abastecimento e tesoureiro da comunidade, Ivonei Fortunato, após relatos de moradores e a constatação de que a água da chuva havia rompido a barreira de contenção.
Segundo Ivonei, a contenção improvisada funcionava inicialmente, mas acabou cedendo após uma forte chuva durante a noite. Com isso, a água contaminada seguiu em direção ao córrego localizado próximo ao poço.
A preocupação aumentou quando moradores registraram imagens mostrando um líquido avermelhado escorrendo em direção à sanga da comunidade. Temendo riscos à saúde dos usuários do sistema, que atende mais de cem pessoas, Ivonei optou por desligar o abastecimento e esvaziar o reservatório até que análises técnicas confirmem a qualidade da água.
Enquanto aguardam os resultados dos laudos, os moradores serão abastecidos por caminhões-pipa disponibilizados pela Prefeitura de Enéas Marques. De acordo com o cabo Fernando Savian, da Defesa Civil, a medida é preventiva, já que ainda não há confirmação de contaminação do aquífero que abastece o poço.
O abastecimento emergencial, no entanto, enfrenta desafios logísticos. O reservatório fica em uma área elevada e de difícil acesso, exigindo o uso de máquinas para auxiliar no transporte da água até o local.
Paralelamente, equipes da Defesa Civil e do Instituto Água e Terra seguem monitorando a situação e cobrando providências das empresas responsáveis pelo transporte e atendimento à ocorrência. Segundo Savian, o impacto ambiental já ocorreu e as ações agora buscam minimizar os danos e acelerar os trabalhos de recuperação da área afetada.
O IAT já notificou os responsáveis pelo acidente e acompanha as medidas adotadas. As autoridades ressaltam que o consumo da água permanecerá suspenso até que exames laboratoriais comprovem a segurança para o consumo humano e animal.