O registro de um caso de feminicídio em Palmas na última semana, além dos aspectos jurídicos e de segurança em torna da proteção às mulheres, coloca também no debate os fatores psicológicos envolvidos nesse tipo de crime e as dificuldades enfrentadas por vítimas que permanecem em relacionamentos marcados por violência.
O psicólogo João Marcos Panho, em entrevista à Rádio Club, explicou que o feminicídio, na maioria das vezes, não acontece de forma repentina, mas sim como o desfecho de uma escalada de violência dentro da relação, marcada por controle, desigualdade e agressões que se intensificam com o passar do tempo.
Embora não exista um perfil único de agressor, ele aponta alguns padrões que aparecem com frequência, como ciúmes intensos, necessidade de controle e dificuldade em lidar com frustração e rejeição.
Panho destacou que o agressor costuma reagir de forma violenta principalmente quando sente que está perdendo o domínio sobre a vítima, especialmente em momentos de separação.
Um dos pontos ressaltados é que, apesar da tentativa em alguns casos de tentar justificar o crime associando o agressor a transtornos psicológicos, nem todo feminicídio está ligado a doença mental. O psicólogo afirmou que, em muitos casos, o comportamento violento é resultado de padrões aprendidos ao longo da vida e de crenças culturais que reforçam a ideia de posse sobre a mulher.
Questionado sobre o motivo de tantas vítimas permanecerem em relacionamentos abusivos, Panho explicou que é preciso tratar o tema com cuidado, sem culpabilizar a mulher. Entre os fatores mais comuns estão o medo de represálias, dependência emocional e financeira, isolamento social e o desgaste psicológico causado pela violência constante.
Além disso, ele lembra que o chamado ciclo da violência inclui momentos em que o agressor demonstra arrependimento, faz promessas e tenta reconquistar a confiança da vítima, criando uma falsa esperança de mudança.
Ele alertou para sinais que podem indicar uma relação abusiva e que precisam ser observados o quanto antes. Entre os principais estão controle excessivo, ciúmes exagerados, tentativas de isolamento, ameaças e histórico de violência crescente.
RBJ