Uma intervenção artística realizada no domingo (8), Dia Internacional da Mulher, durante a programação da Expobel, chamou a atenção de visitantes no parque de exposições de Francisco Beltrão. Intitulada "122 Caminhadas Interrompidas", a ação foi criada para alertar sobre os casos de feminicídio registrados no Paraná.
A iniciativa foi organizada pelo coletivo Leia Mulheres em parceria com a Procuradoria da Mulher da Câmara de Vereadores. No espaço da feira foram expostos 122 pares de calçados femininos usados, representando o número de mulheres vítimas de feminicídio no estado em 2025.
A proposta utiliza objetos do cotidiano para provocar reflexão entre o público. Cada par de sapatos simboliza uma vida interrompida pela violência, trazendo à tona histórias que foram brutalmente encerradas.
A vereadora Mara Fornazari Urbano, Procuradora da Mulher no município, destacou que ações como essa ajudam a ampliar o debate sobre a violência de gênero e a necessidade de enfrentamento permanente do problema. Segundo ela, apesar dos avanços conquistados pelas mulheres em diversos espaços da sociedade, ainda é fundamental fortalecer políticas e iniciativas que garantam o direito à vida, dignidade e segurança.
A artista e professora do Instituto Federal do Paraná, Katiúcia Sosnowska, explicou que os sapatos representam trajetórias interrompidas. "São objetos comuns do dia a dia que simbolizam caminhos, histórias e sonhos que foram interrompidos pela violência", afirmou.
A intervenção aproveitou o grande fluxo de visitantes da Expobel para ampliar a conscientização sobre o feminicídio e reforçar a importância do enfrentamento à violência contra as mulheres, convidando o público a refletir sobre a responsabilidade coletiva de construir uma sociedade mais segura e igualitária.
Ascom